Director's cut
Inspirado no filme de David Cronenberg “The Brood” de 1979
Avisa-se aos leitores mais sensíveis que não leiam o seguinte texto devido ao seu carácter chocante e violento.
Baseado numa história verídica (frase que qualquer um pode pôr num filme pois toda a gente a aceita, sem verificar).
Era um Sábado como outro qualquer na casa dos Bradley’s. A filha mais nova estava a brincar no jardim, o seu irmão Brad estava a ouvir música no quarto e o casal estava na cozinha à espera que o assado para o jantar estivesse pronto.
Estava a anoitecer quando a mãe se lembrou que não havia pão e pediu a Brad que fosse comprar.
Como qualquer adolescente irreverente Brad discutiu com a mãe, mostrando-lhe como o mundo o odiava, obrigando-o a ir comprar pão como martírio. Mas, como sempre, acatou e foi.
A padaria habitual estava fechada por isso Brad dirigiu-se para o outro quarteirão, à procura de algo aberto. Encontrou, numa rua já um pouco deslocada do seu trajecto (se não fosse isto jamais seria uma história de terror, em que as personagens são tipicamente deslocadas para locais não habituais e soturnos, sem desconfiarem da sua óbvia estranheza).
O funcionário era um homem de cinquenta e poucos anos, careca e desdentado, com um brilho assassino no olhar. Fitou Brad por muito tempo com o seu olho de vidro (tinha perdido o original numa luta com o homem queque), mas o jovem energúmeno não reparou, mais uma vez nisto.
- Que tem de mais fresco?
- Acabaram de sair uns bijou. Estão de matar. – E piscou-lhe o olho verdadeiro.
- Quero levar quatro então. Quanto é?
- Como é o último cliente não é nada. Já ninguém os viria comprar a esta hora.
- Ah, obrigado então.
Brad pegou no saco e saiu da padaria, enquanto o homem se ria loucamente no interior desta.
Um pequeno à parte: Se Brad fosse cerebrado, teria reparado que aqueles eram os únicos pães na loja, que ninguém faz habitualmente pão às oito da noite que não vai vender, muito menos um homem que se ri maleficamente nas nossas costas deixando cair um olho falso ao chão. Mas Brad, logicamente, não era desta espécie.
Quando chegou a casa a mãe colocou os pães na cesta, admirando o seu cheiro.
- A que padaria foste? Estão mesmo com bom aspecto? E ainda quentinhos!
- A uma na rua Bradlyn…
- Nunca tinha reparado nela.
- Pois, nem eu mãe. Já vamos comer?
- Sim, só estava à tua espera.
A família sentou-se e deu as graças, como boa família americana que era. Eles eram muçulmanos.
Iam começar a comer quando a mais pequena se lembrou de fazer uma birra porque não sabia de Chucky, o seu boneco preferido.
A mãe levantou-se e foi procurar o boneco com a criança.
Brad e o pai não tinham grande assunto para discutir por isso ficaram a olhar pateticamente um para o outro enquanto esperavam pela matriarca da família.
E enquanto estavam inocentemente distraídos algo se começou a mover no interior do cesto de pão… Algo que nenhuma força deteria… Algo de que até o Capitão Nascimento iria fugir… Algo com poderes para destruir toda a Humanidade (talvez agora esteja a exagerar…) Algo vindo dos fornos do nono círculo do inferno: O BIJOU.
Brad estava a meditar na melhor maneira de conseguir engatar a totó da escola para a levar ao baile de finalistas de forma a ganhar uma aposta com os amigos. Tal e qual como um típico jovem americano. Pelo menos é o que a literatura (ou seja filmes) deles nos fazem crer. E eu acredito. Mal ele sabia que ela se iria transformar na rapariga mais bonita da escola à custa de 50 cirurgias plásticas e que ele se iria apaixonar por ela, sendo rejeitado quando ela descobrisse o seu plano inicial, mas no fim aceite devido a uma música lamechas que iria interpretar no átrio da escola. Mais ou menos isto. Brad pensava nisto tudo quando, subitamente…
O Bijou atacou. Atacou com toda a côdea que tinha sufocando o pai com o seu miolo fofo e envolvente, e aumentando progressivamente de tamanho, enquanto sugava a vida que lhe servia de fermento.
Brad entrou em choque e começou a berrar como uma menina, porque estava a mudar de voz.
Pode parecer-vos ridícula a imagem de um bijou gigante a matar um homem, mas imaginem. É um pão, com vida própria, que se abriu a partir da sua típica ranhura que o torna semelhante a um traseiro humano (talvez antigamente chamassem aos traseiros bijou, para dissimular a homossexualidade. Talvez por isso os franceses sejam todos gays, não sei. Mas um dia vou descobrir a verdade) e a engolir-vos a cara, sufocando-vos no seu apetitoso miolo.
Ao ver Brad a berrar, o Bijou virou a ranhura para ele. O Bijou conseguia ver, graças a um olho de vidro, que pareceu familiar a Brad. Mas não o atacou. Em vez disso murmurou antigas palavras indus de libertação de demónios fazendo os outros três bijous crescerem como ele.
Foi a última vez que Brad berrou como uma menina. E não foi por ter ultrapassado a puberdade.
Quando a mãe chegou à cozinha, nem teve tempo de berrar. O Bijou foi mais rápido que ela.
A criança mais pequena estava lá fora, à procura de Chucky, e foi poupada. Quando entrou em casa, dias depois com os tios, não havia sinais dos Bijou. Tinham ficado secos e tinham-se esfarelado pelo chão da cozinha. Só o olho de vidro continuava lá, fitando-a até que ela enlouquecesse.
Hoje está no hospital St. Mercy (todos os hospitais psiquiátricos dos E.U.A têm este nome), na ala para traumatizados profundos. Nunca recuperou do que viu pela janela da cozinha que dava para o jardim. Nem nunca mais conseguiu comer pão, nem coisas que contivessem amido, morrendo anos depois devido a carências nutritivas severas.
Várias famílias desapareceram entretanto, todas elas tinham ido à padaria na rua Bradlyn.
The Brend
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